DISASTER

INTRODUÇÃO

https://bacharelemprosa.files.wordpress.com/2019/09/download.jpg?w=318

O QUE É UM GÊNERO LITERÁRIO?

Os gêneros literários são categorias ou conjuntos de obras, usadas por autores, que possuem as mesmas características estruturais. Falaremos, neste Blog, sobre dois gêneros específicos.

PROSA E POESIA

Prosa é a forma natural de comunicação, não é necessário o uso de rimas e combinações.

Os textos em Prosa podem ser facilmente observados em contos, crônicas, narrações infantis, romances, textos jornalísticos.

A Prosa é dividida em dois Gêneros Específicos:

  • Narrativa 
  • Demonstrativa 

Poesia são as emoções do autor, que através da sua arte busca expressar uma ideia ou sentimento. É um elemento subjetivo e abstrato e geralmente está presente em poemas, pinturas, fotografias, músicas e qualquer outra forma de arte.

A Poesia é dividida da seguinte Forma:

  • Soneto
  • Ode
  • Poema épico
  • Poema narrativo
  • Poema dramático
  • Poema lírico
  • Poesia em prosa (prosa poética)

Há alguns anos atrás, a única ferramenta na qual podíamos ter contato com esses gêneros, era através dos livros. Com o passar dos anos, a Internet veio assumindo cada vez mais o seu lugar, proporcionando essa facilidade de acesso em qualquer lugar do mundo.

Perfis sociais como Instagram, Youtube e Blogs são muito utilizados para expressar os desejos e o dia- a- dia das pessoas.

A sociedade está cada vez mais conectada com a era digital, e por conta disso, as versões impressas dos livros, cartas, revistas aos poucos vão dando lugar para as versões midiáticas, como os posts e seus formatos digitais nas redes sociais.

Os gêneros literários são muito fáceis de ser encontrados na Internet.

BIBLIOGRAFIA DOS GÊNEROS LITERÁRIOS QUE CIRCULAM NA INTERNET 

CreepyPasta- Lendas Urbanas e histórias de terror que viralizam na Internet

Gêneros encontrados no site CreepyPasta:

Narrativas- O narrador conta um acontecimento bizarro que aconteceu com ele, ou uma lenda etc. Geralmente é narrado na primeira pessoa do singular ou a terceira.

Diários- A narrativa é contada em formato de diário, pode ter ordem cronológica ou não.

Rituais- É basicamente uma lista de instruções em que você tem que fazer o que é mandado ou algo terrível supostamente aconteceria na sua vida.

Episódios perdidos- A narrativa é um suposto episódio perdido de alguma série geralmente humorística ou infantil, onde acontecem coisas estranhas.

Vídeos secretos- Basicamente a mesma coisa que os episódios perdidos, só que são vídeos estilo Youtube e não séries de TV.

Hack Roms/Jogos alternativos- São histórias baseadas em jogos geralmente famosos, em que acontece algo que não deveria dentro do jogo, tipo aparecer uma cena com muito sangue ou extrema violência.

Home

Grupos no Facebook de “Short Stories” onde você pode ler e publicar histórias.

https://www.facebook.com/groups/1715351725444117/

SCP (Secure Contain Protect)-é uma organização fictícia  que supostamente localiza e contém anomalias impedindo-as de dominarem o mundo, então cada relato é de uma suposta missão.

http://www.scp-wiki.net/about-the-scp-foundation

HORROR CÓSMICO- principalmente em sites de  quadrinhos, horror cósmico é um tipo de terror que mexe com a noção de existência do ser humano, e cria criaturas de tamanhos imensuráveis à mente humana. 

Foot Traffic

COMMAFUL– Um site que as histórias são linkadas com imagens, geralmente são histórias bem curtas, do tamanho de uma redação por exemplo ou até menor. Cada frase em uma imagem.

https://commaful.com/

ASMR de terror- ASMR é uma sigla que significa Autonomous Sensory Meridian Response (Resposta Sensorial Meridiana Autônoma). Termo usado para descrever a sensação agradável por uma experiência sensorial desencadeada por sons, sussurros, barulhos específicos e estímulos visuais como pintura e desenho 

PODCAST- O propósito de um podcast normalmente  é transmitir informações, contar, história, dissertar sobre assuntos variados. Através de um arquivo de áudio.

PLANE CRASH INFO– Site compila as transcrições das últimas palavras de pilotos de avião, momentos antes do acidente acontecer

http://www.planecrashinfo.com/lastwords.htm

TAKE THIS LOLLIPOP- Site que acessa todas as suas informações do Facebook e cria uma história de terror e que você é perseguido por um psicopata.

http://www.takethislollipop.com/

Aparentemente o site está na Dark Web agora segundo um post no próprio site 

HUMANLEATHER- Um site que vende acessórios feitos de pele humana (as peles são doadas para os fabricantes e eles produzem acessórios como carteiras por exemplo)

http://www.humanleather.com/  

OPENTOPIA– Site que reúne gravações de câmeras aleatórias ao redor do mundo segundo o próprio site:  “essas webcams foram encontradas automaticamente na rede. Por uma razão ou outra, esses fluxos são acessíveis ao público, mesmo quando isso parece surpreendente. Nós não contamos as senhas das pessoas, simplesmente localizamos excentricidades escondidas nos motores de busca, pegamos uma instantânea e apresentamos aqui.”

http://www.opentopia.com/

DEATHDATE– Site que calcula quando você vai morrer e especificamente a causa.

http://deathdate.info/

NETFLIX-Plataforma que disponibiliza filmes e séries tanto produzidos pela empresa quanto produzidos por outras agências.

https://www.netflix.com/browse

FANFICS– Uma fanfic, é um gênero literário em que  geralmente se omite o nome da(o) personagem principal para  o leitor se inserir na história pode ser escrita em vários formatos como narrativa em 3a pessoa narrativa em primeira pessoa forma de diário, porém a forma geralmente usada é em primeira pessoa justamente pelo fato do leitor se inserir na história. O objetivo é escrever uma história colocando algum artista que você gosta para simular que você e ele têm uma história de amor por exemplo. 

PINTEREST– É uma rede social que junta diversos conteúdos, desde receitas de comida até moda, e também literatura, têm fanfics, sites de contos, o que acontece, você publica o que chamamos de Pin e insere o link do conto ou história que você quer que as pessoas vejam e a partir do seu post no pinterest as pessoas acessam o link.

https://br.pinterest.com/

TIRINHAS DE ROMANCE- são tirinhas com número indefinido de cenas de uma situação entre um casal por exemplo 

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Essa tirinha não precisa nem de legenda.

A post shared by Andrei Almeida (@almeida_andrei) on

INSTAGRAM- Rede social em que o foco principal é a publicação de fotos, mas muitos artistas gostam de compartilhar suas obras ali, geralmente os trabalhos curtos como poesias e quadrinhos por exemplo 

https://www.instagram.com/atticuspoetry/?hl=pt-br                                                                

MEMES- Geralmente algo cômico que viraliza na Internet 

BLOGNOSSOCONTO- O blog destila vários gêneros literários acerca de temas de cunho e interesse feminino com o intuito de trazer visibilidade e discernimento sobre temas relevantes de escopo do gênero feminino utilizando de diversos meios e gêneros literários promovendo retórica e exercícios de reflexão importantes. 

Tais produções literárias englobam: Romance; conto; novela. 

https://maninhoonline.wordpress.com/

https://blognossoconto.wordpress.com/2018/07/05/amor-nao-e-romance-um-sofa/

ANÁLISES NO GÊNERO POESIA:

A imagem abaixo mostra um Poema criado pelo autor Zack Magiezi e postado em seu Perfil no Instagram:

Link:https://vejasp.abril.com.br/cidades/poemas-sucesso-redes-sociais/

Nele podemos perceber a auto valorização que o autor demonstra pelo amor próprio da mulher, sendo ele como um todo. Que apesar do furacão que se encontra ainda é capaz de encontrar o amor próprio e criar forças para enfrentar os seus medos. O Instagram, Facebook e Twitter são as redes sociais mais usadas para a propagação desse tipo de gênero literário.                                                                                                                                                                                                                                                                                           

É de grande importância que essa nova geração use e abuse das diversas formas de expressões, sejam elas em forma de versos ou canções, dessa forma construiremos uma sociedade, psicologicamente, mais forte e saudável, tanto consigo mesmo quanto com o próximo. Sem dúvidas escrever e expressar as nossa emoções é uma das artes mais belas da vida. Não poderia deixar de citar nesse Blog, sobre a minha admiração por uma grande Escritora Brasileira que foi a Cora Coralina.  A autora escreveu muito sobre o cotidiano simples de sua vida em Goiás, e até hoje inspira muita gente com sua linguagem única. 

Tenho-a como uma grande fonte de inspiração, e seus lindos Poemas nos dão um sabor um tanto especial para a vida.

Link:https://www.pensador.com/as_melhores_frases_e_poemas_de_cora_coralina/

O Poema em destaque, nos faz pensar que, Cora também parecia ser crítica à norma culta da língua. Era a favor de uma linguagem simples e ao sabor da palavra em sua pureza.

A imagem retrata um Poema escrito por Cora, na qual a escritora demonstra o grande prazer que tinha pela variação linguística, que para mim, sem dúvidas dá um toque todo especial para a nossa Literatura Brasileira.

 OLHE DEBAIXO DA CAMA 

Autor: Alan Martins

255 palavras 

Gênero: Terror 

Poesia:publicado em: 14 de setembro de 2017                                                       

  link para acesso à poesia: https://anatomiadapalavra.com/2017/09/14/poema-olhe-debaixo-da-cama/

OLHE DEBAIXO DA CAMA

Olhe debaixo da cama,

para essa figura que engana.

Depois lembre-se de quem te ama,

e dê adeus à sua trama.

Ouça! É a escuridão que o chama!

Jamais imaginei passar por tal situação.

Nunca acreditei em lenda,

nessas histórias de assombração.

Por mais que você não me entenda,

ainda não foi rompida a fenda,

que liga a realidade à imaginação.

Tenho os pés no chão…

Ao menos até então…                                                                                                                                                   

Aconteceu no último mês,

foi quando o vi pela primeira vez.

Detrás da lápide, sua tez.

Em meu ato de insensatez,

aquilo percebeu o mal que me fez.

Nem burrice,

nem crendice.

É realidade,

a mais pura verdade!

Minha vida se tornou um horror.

Um pesadelo, um filme de terror!

AQUILO não conhece o amor,

Trata-se de crueldade em total esplendor.

Outro dia, andando pela rua,

já era noite, sob o fulgor da lua,

avistei sua figura.

Aquela feroz amargura.

Um misto de sedução e loucura

Presenciei fatos sem nexo,

ao me barbear, lá estava seu reflexo.

Por isso deixo um conselho:

Caso não queira dar de cara com o alheio,

se desfaça de qualquer espelho.

Quebre-os por inteiro.

Caso contrário, do medo se tornará prisioneiro.                                                

Hoje, está aqui comigo.

Não posso vê-lo, mas sinto o perigo.

Sob meu leito, seu abrigo.

Estou morrendo de medo, caro amigo.

Sigo vivo por ora.

Talvez devesse fugir, sem demora,

pois meu fim virá, ele o elabora.

Deixo esse aviso, antes que eu vá embora:

Olhe debaixo de sua cama. Olhe agora!

Alan Martins

Olhe Embaixo da Cama explora  medos que todos já tivemos. 

O  que está embaixo da cama? O que espreita atrás da sua porta, o que espera ali para te pegar? O que te espera na escuridão?

Alan descreve esse medo de uma forma criativa e intensa, a maior parte de suas rimas é preciosa, com oito estrofes de versos livres, com criatividade , faz relações inesperadas e     causa desconforto ao leitor, admito que ao final da poesia de dei uma espiada na minha janela com receio de que alguma coisa estivesse ali. Colocar esse sentimento em um poema não é fácil, gostei. Ele aborda a questão com um humor até ácido.

 A pergunta que fica é: Será que ele não é o próprio monstro embaixo da cama, no reflexo do espelho? 

O MAIOR DOS ESTRAGOS

Autor: Poettheus

93 palavras

Gênero: Romance/Drama

Publicado em: 21/09/2019

Link:https://www.instagram.com/p/B2r9sFhhuOo/

Matheus é um usuário do Instagram que utiliza seu perfil, user @poettheus, para desabafar, é justamente o que sua descrição traz: “escrevo por não suportar mais tanta coisa

me enchendo a cabeça e o peito, assim, faço das palavras um descargo pra tudo o que sinto e que penso”                                                                                                                                                    

Na sua poesia, ele descreve em seis estrofes de quatro versos cada, como tem sido para o eu- lírico após uma desilusão amorosa. O mesmo se lembra da sensação que tinha ao se ver, ao conversar, até diz que a impressão de frio na barriga que tinha se dava ao frio que vinha do coração do outro, coração de gelo que não era exposto e que adoeceu o do eu-lírico, o tornou de gelo. 

Termina mostrando de onde vem o título, explicando que o foi feito o maior dos estragos: derreteu o coração e depois congelou o mesmo.                                                                                                                                                 

Os versos me trazem os sentimentos de desamparo, de vazio, me faz refletir se talvez a falta de sentimentos que tenho e que vejo em outros, não se dá ao simples fato de já ter tido decepções que nos fizeram céticos em relação ao amor. 

ANÁLISES NO GÊNERO PROSA

LUTAR OU MORRER

Autor: Luciano Silva Vieira 

Gênero: Ficção Científica 

Publicado em: 12/062019

Link: https://recantodasletras.com.br/contosdeficcaocientifica/6671254 

Em um cenário de combate iminente com algum inimigo vil, três amigos marcham em batalha. Aparentemente preparados e conhecedores de suas fraquezas e de todos os equipamentos auxiliares que não os permitiriam serem aniquilados por quaisquer sejam os inimigos abomináveis do outro lado da escuridão. Tudo se complica em questão de segundos e o caos toma conta da situação.

 Ao se reparar com a aniquilação sistemática imposta pelo inimigo que aparentava ser superior, o personagem central se depara com os restos mortais de seus amigos e lutava por sua sobrevivência. Em meio a destruição e caos o monólogo interno do personagem central é tomado por retóricas e conjecturas de aceitação da derrota iminente, sob a batalha que acontecia nos céus sentia pertencente de algo com algum significado cósmico e aceitou seu destino como algo inevitável e belo. Porém acordou outro dia e descobriu por meio de seus aliados que haviam vencido a batalha, não tomado por orgulho ou felicidade, conflitante com si mesmo e com a volatilidade da situação, já havia aceitado sua iminente morte, não queria passar pelo processo novamente, e com certeza não queria fazê-lo sem seus amigos perdidos em batalha. Toda a humanidade que havia encontrado em seus momentos finais foram perdidos e subjugados por sentimentos de vingança e luta, tudo aquilo que era inerentemente feio e já tinha aceitado que preferia não existir a ter que acreditar em tudo aquilo de novo. 

AS CHAVES DA CASA

Autor: Alex Raymundo 

524 palavras 

Gênero: Ficção Científica 

Publicado em: 25/07/2019

Link:https://www.recantodasletras.com.br/contosdeficcaocientifica/6704695                                                                                                                                         

Em um futuro pós-apocalíptico onde naves alienígenas saqueadoras sobrevoam a superfície terrestre, sobreviventes vivem o constante dilema acerca do sentido restante de suas vidas na terra. Alguns permanecem conectados com retalhos de suas vidas anteriores enquanto outros assumem seus extintos sobreviventes primais e soterrados por séculos. 

Este conto de ficção retrata os conflitos da natureza humana em meio a condições adversas e apresenta escopos de comportamento inerentes à existência e consciência humana. O personagem Noah, sob qual o centro da trama se estende, guarda em seu bolso, ainda sob circunstâncias adversas e irreversíveis, as chaves de sua casa. Em meio a personagens desolados e corrompidos pela realidade, Noah se mantém conectado com suas origens e retém, apesar de insignificante para finalidades práticas e instintivas, um pedaço de sua vida anterior para que apesar de viver em um mundo desumano, o mesmo não perca sua humanidade e sempre lembre quem é. 

 GREEN EYED BOY  (Menino dos olhos verdes)

Autor: Lake Lopez 

Ano: 2010

4098 palavras 

Língua: Inglês

Narrativa em terceira pessoa. 

Link:http://www.thescarystory.com/shorthorrorstories/green-eyed-boy-horror-story/

“He was the weird kid on the block, the one who faced the world with an intense, silent stare.”

(Ele era o garoto estranho do bloco, aquele que encarava o mundo com um olhar intenso e silencioso)

A história é sobre um menino chamado Kyle (12  anos)que tem tendências psicopatas. Seu pai Cal e sua mãe Julie tentam esconder isso antes de se mudarem para o bairro atual, Kyle matou vários cachorros. Seus novos  vizinhos, um casal de idosos donos de um Golden sempre foram muito gentis com Kyle mesmo percebendo que ele não era o que se entende por “normal” convencionalmente, mas Kyle matou o cachorro deles.                                                                                                                                       

  A mãe de Kyle se recusa a acreditar que tudo estava acontecendo novamente, mas o 

pai não, ele tem certeza de que foi Kyle, porém quando questiona o garoto, este nega envolvimento. Julie acreditando na sua ilusão continua protegendo o menino até que um dia Kyle fica de detenção na escola, e um  professor acaba assassinado. Curiosamente o professor de Álgebra que Kyle sempre detestou. 

Então a polícia vêm até a casa da família de Cal e pergunta se pode fazer algumas perguntas. Julie nega, fala que não quer ninguém aborrecendo seu filho. Cal decide passar um dia com seu filho e no final pergunta sobre o professor de Álgebra.  Kyle percebendo que o pai não iria acreditar que ele não tinha nada a ver com isso simplesmente confessa. Cal resolve que a família inteira deve morrer depois de fazer Kyle confessar que havia matado o professor, então Cal droga os dois e fala que vai explodir tudo com gás e fogo para Kyle. Do escuro , uma criatura aparece, aparentemente essa criatura é do gênero feminino,  e tem tentáculos e morava embaixo da cama de Kyle.                                                                                                                                        

Ela segura Cal e fala pra ele que o dever deles é proteger o menino e que ele vai controlar seus impulsos e eventualmente não matará mais ninguém, então manda Cal colocá-lo para dormir e esse é o fim. A história é dinâmica, sem muitos detalhes, confesso que achei bem clichê, não é um conto de terror assustador, é mais pra deixar o leitor desconfortável, o escritor poderia explorar mais essa sensação, porque tudo acontece tão rápido e sem detalhes que quando o suspense e o incômodo começam a aparecer a história acaba.

 O fim é um pouco confuso, e nem um pouco impressionante, parece que acaba no meio. Gostei da parte da idealização do pai em relação ao filho e a decepção que gera uma certa desconexão, Cal não se vê como o pai que imaginou que seria. “Cal wanted to hear the sound of their laughter mixed together in the cold winter air. Kyle remained stoic, however, his gaze unbreakable.” É possível notar o desejo de ser um bom pai, mas no fim ele admite que  queria um filho que gostasse da companhia do pai, que fosse aluno nota 10 e gostasse de esportes. Parece impossível suportar um filho psicopata e mais impossível ainda matar apenas a criança, então ele tenta matar a todos, esse plot twist foi interessante, mas sinceramente, acho que o final seria melhor se o autor tivesse explorado melhor a criatura com tentáculos porque ela só aparece no meio mas é algo muito rápido e no final quando ela se mostra, é  como se o autor estivesse tentando ser autêntico sem colocar muito esforço.                                                                                                                                                                                                                                                                        

Nota de rodapé: 

Tradução das citações: Citação do início: Ele era o garoto esquisito do bloco, aquele que encara o mundo com um silencioso e intenso olhar

Citação do meio:Cal queria ouvir o som das suas  risadas em meio ao vento do inverno, Kyle permaneceu estóico, entretanto sua feição impenetrável.

GORJETA AFETIVA

Autora: Martha Medeiros

Gênero: Drama

Publicado em: 19/04/2019

Link:https://www.facebook.com/marthamedeiroscronicas/

Martha Mattos Medeiros é uma escritora gaúcha conhecida como uma das melhores cronistas brasileira. Além de livros, ela publica com frequência seus escritos no Facebook e foi dessa rede social que retirei a crônica para ser analisada. 

Nesta crônica, Martha critica o fato de que atualmente estamos tratando os sentimentos como se fossem nada, pois palavras que antes carregavam grande poder sentimental estão sendo ditas com facilidade e sem realmente significar algo. Ela explica a situação da ilusão amorosa de uma amiga que questão de meses conheceu, se envolveu e, através de palavras ditas sem o real sentimento, acabou ficando de coração partido. 

Sabemos que a amiga não teve culpa alguma, seu único erro tenha sido somente acreditar que ainda há pessoas com sentimentos reais, mas infelizmente, é o que mais vemos (e ouvimos) atualmente. Já se tornou um problema frequente, já não é mais tão difícil encontrar alguém que teve os sentimentos abalados por falsos dizeres. 

E com tantas decepções desse tipo, se torna inevitável acreditar nas mesmas palavras quando ditas por aqueles que realmente querem expressar sentimentos verdadeiros. A autora até escreve que o “eu te amo” se assemelha a uma gorjeta, uma simples esmola, e parece que nos acostumamos com essa maneira de sentir (ou não sentir). Mas apesar de tudo o que vivenciamos, de toda a superficialidade, sabemos que o que queremos é alguém que, aproveitando a metáfora usada, nos leve para um mergulho, um mergulho bem fundo, que nos mostre como é realmente amar. Aguardamos o momento em que acordaremos para ver que merecemos mais e que para termos esse “mais”, é preciso tratar os outros como “mais”, assim teremos um ciclo constante em que todos nós seremos e teremos o “mais” e nisso, o “Eu te amo” será dito como verdade absoluta.                                                                                                                         

Mas enquanto isso, teremos que sobreviver com as palavras que deveriam significar o mundo sendo tratadas como nada, sendo pronunciadas facilmente e sendo retiradas talvez com ainda mais facilidade.

 PRODUÇÕES EM POESIA

ESCUDO

diante de tudo com meu novo escudo 

me ergo e enxergo 

enxergo a luta, absoluta 

que me feria e queria 

derrubar e travar 

minha felicidade e sanidade 

mas agora sem demora, 

enxergo a paz que se faz 

em minha alma e que me acalma, 

me faz ver e crer 

que a luta, absoluta 

foi para ver e reerguer 

meu escudo, meu tudo 

que uma vez se desfez 

-Adriele Farias

CHUVA DE VERÃO

Eu tento não pensar, 

O porquê de juntos não estar. 

mas logo venho a entender,

que como chuva de verão

 eu cheguei a te perder.

Foi assim passageira 

 nem deu tempo de guardar.

Guardo apenas lembranças

 da doçura em seu olhar.                                                                                                                                                   

Quem me dera eu tivesse entendido que

 chuvas de verão não são tempos perdidos

-Patrícia Aparecida do Santos

PÁTRIA AMADA

 Eu te peço 

 Me olhe com atenção 

 Não sou o que você espera

 Tampouco o que tu nega 

 Só faço o que preciso 

 Para sobreviver neste mundo louco 

 Onde poucos sentem 

 E muitos iludem  

 Intolerância virou algo banal

 Racismo estrutural 

 Opção Sexual? Doença.

 O que foi que aconteceu com a pátria amada? 

 Salve Salve as nossas crianças 

 Do mar de intolerância e preconceito

 Protejam-nas de suas ilusões

 Libertem suas visões   

 Arranquem o fanatismo de vossos peitos

 Medidas drásticas para momentos desesperados 

 Não quero ser mais um alienado. 

Não há espaço para o ódio onde se cultiva o amor 

-Beatriz Borelli 

A FORMA DO AMOR

Tudo que ganha forma tem nome de Amor. 

A forma está em se doar em se dispor 

A forma com que amamos, explica por que se doamos. 

Como é bom se doar entendendo o que é amar. 

A melhor formar de amar é com o tempo contar. 

Esperar depende do tempo que iremos dar para o amor eterno chegar. 

Digo por que a pressa é inimiga da perfeição. 

Não há porque duvidar ou não 

Eu amo a forma de me assegurar que amores eternos,

 levam um tempo pra chegar. 

Eu sigo confiando que toda forma de esperar descreve o amar. 

Toda espera tem fim, 

é preciso saber se até lá iremos confiar em esperar esse tempo então chegar. 

Porque amores verdadeiros no tempo certo vem pra ficar. 

-Patrícia Aparecida Santos 

                                                                                                                                           PRODUÇÕES EM PROSA

                                                     MASCARADOS

                                                            -Ilusão-                                                                                                                                                                                               

I                                                                

“ Religion is still useful among the herd – that it helps their orderly conduct as nothing else could. The crude human animal is ineradicably superstitious, and there is every biological reason why they should be.

Take away his Christian god and saints, and he will worship something else…”

Imagine uma formiga, agora um formigueiro.Pense então na grama por cima do formigueiro, na casa construída perto desse formigueiro, na cidade onde a casa está localizada, no país, no planeta. Olhe para o céu, o que você vê? E se houvessem bilhões de outros planetas com as exatas condições do seu e por algum motivo a humanidade não existisse neles. Hipoteticamente, porque você nunca saberia.

Quantas galáxias existem quantos planetas nessas galáxias…E se uma entidade comandasse isso tudo, um Deus? Não…. bobeira religiosa, será? E se nossa vida na verdade fosse uma ilusão… Como temos consciência de  que existimos.Por que existimos? Existimos de fato? Por que essa ideologia religiosa, dogmática e moralista nos acompanha desde os primórdios da humanidade, desde a pré- história? Quando a religião não era um interesse político.  O que isso quer dizer? Como algo que não provamos cientificamente é tão presente nas nossas vidas e influencia a forma que somos construídos dentro da sociedade atual ? 

Jackson se perguntava frequentemente… as respostas, eram  sinistras.

 Só ele que não havia entendido ainda.                                                                                                                                                                             

                                                                   ***

“Ok, ok primeira aula… Geografia? Não, merda. Onde tá meu caderno ? Ahhh é Matemática, Matemática, sala B10? Isso… ONDE FICA ESSA SALA?

Meu deus que escola grande”

Primeiro dia de aula, segundo ano do Ensino Médio. Jack mudou de escola porque a mãe dele Dória, foi transferida  do trabalho no interior pra Capital em SP (que se chamava curiosamente São Paulo também).

Ter se mudado não era um problema para Jack. Ele sempre ficou na dele e era bom em não chamar atenção, o que por sinal era uma das  regras pra NÃO DAR MERDA. Isso era uma lista mental com apenas três itens: ficar na sua, não zoar os outros e não surtar (na medida do possível). 

“B10 segundo andar bloco B sala 10 é isso, ok deve ser perto do laboratório..? Caraca olha essa mina. FOCO….B1O B1O B1O….. finalmente. Porra tô atrasado” 

Jack entrou na sala tentando não fazer barulho, mas a porta rangeu tão alto que  a professora parou de falar por um momento. 

Limpando a garganta com um “hm hm “ sugestivo ela continuou:

-Bom dia, sou a professora Ana, Matemática. As aulas são divididas em épocas, com exceção de Inglês, Educação Física, Artes e Coral. Essas matérias vocês terão todas as semana duas vezes por semana. Cada época dura um mês e acontece nas duas primeiras aulas do dia, as outras três aulas são as avulsas. 

“Certo, então eu vou ter Matemática por um mês todos os dias da semana e depois vai ser tipo, geografia? É acho que é isso, que escola estranha  haha” 

A aula definitivamente foi chata. Depois era Arte, ele era péssimo, até os bonequinhos palito dele eram tortos, depois as últimas duas foram Educação Física. E por fim….casa.

                                                                    ***                                                     

“Finalmente, tô com  fome.”

 Destrancou a porta que fez um barulho quando ele a empurrou devagar. 

-Ô mãe?- nada…- A própria respiração era só o que ele ouvia. De novo:

-Mããããe?? 

“Talvez lá atrás no jardim….”

-Mãe….? Cheguei da aula… A escola  é meio estranha mas acho que vou acostumar. Mãe sério pode  me responder agora, eu sei que você não foi trabalhar ainda, você entra as 15:00 só…. as époc c c c…….

A respiração de Jack congelou, seus dedos ficaram dormentes, as palavras morreram na  boca,um frio na espinha, sua cabeça começou a girar, que sangue era aquele ? 

“QUE MERDA É ESSA? NÃO CONSIGO ME MEXER, MÃE! SANGUE?”

Um rastro de sangue seguia o caminho até sua mãe.

As mãos e os pés dela estavam viradas para trás como se estivesse tendo uma convulsão. Só as pontas dos pés encostando no chão, estava completamente imóvel, e muito rígida. A cabeça, virada, olhando pra alguma coisa no céu que Jack não conseguia ver, ou que simplesmente não estava lá. Da boca da mãe, era possível ver o sangue escorrendo, os olhos estavam vermelhos e muito abertos.Um corte na parte de trás de sua nuca sangrava muito. Ela estava em pé, ao mesmo tempo que parecia rígida, a impressão era  de que ela flutuava. 

“MÃE?” 

Ele gritava, mas nenhum som saía de sua boca. 

“Meu deus, será que fiquei paralisado também, porque meus dedos estão formigando, mãe, mãe, mãe, MÃÃÃÃÃÃE!!!!!!”

Um turbilhão de pensamentos se passava na cabeça dele e a única coisa que ele queria era gritar. O que Dória estava olhando por que ele não conseguia ver, por que nenhum som saía de sua boca?” 

PRETO. 

Tudo ficou preto.

As coisas começaram a  entrar em foco…

 “Caralho, que dor de cabeça, o que aconteceu? MÃE”

Dessa vez a intenção não era fazer as palavras saírem da boca, mas não foi o que aconteceu.  Dória apareceu na porta, completamente normal, com sua blusa de flor e sua calça moletom de ficar em casa. Ela tinha uns 40 anos, cabelos pretos e grossos, os olhos pretos também a pele era de um  tom parecido com pêssego. Jack era muito parecido com ela, mas tinha os olhos esverdeados, já era bem mais alto e magrelo, ele puxou o nariz do pai, comprido e com o ossinho bem proeminente.Parecia um pouco o Snape de Harry Potter sabe? Enfim. 

-Ah finalmente acordou, quando cheguei em casa você estava estatelado no jardim. Foi uma cena engraçada, eu te acordei e perguntei se estava bem. Você falou alguma coisa estranha que eu não entendi e eu te levei pro quarto. Como você caiu ali hein?- Disse Dória com uma expressão engraçada.

-COMO ASSIM QUANDO VOCÊ CHEGOU? Você tava em casa quando EU cheguei e tinha sangue e… e e você tava flutuando? E e sua boca?  Tinha um corte na sua nuca… eu não… ahn… -Jack engoliu em seco.

-Você deve ter sonhado. Hoje  fui trabalhar duas horas antes porque a Márcia teve que levar o filho dela na creche. O marido dela, um inútil, esqueceu  e largou a criança sozinha e… você tá bem? Filho? Calma, você tá meio pálido, quer uma água, você almoçou hoje?Jackson.Já falei pra você almoçar!

-Mas foi tão vívido mãe, eu tenho certeza… não é possível. Porque eu desmaiaria no quintal? VOCÊ tava aqui… eu acho.. ah.. -A cabeça uma confusão “ela não para de falar como se estivesse tudo BEM?! “ 

-Eu ia te falar hoje que vou te levar no médico fazer um check up na sexta-feira… Acho que podemos pedir pro doutor dar uma olhadinha na sua cabeça pra ver se está tudo certo, ok? Não é normal mesmo desmaiar assim do nada.

-Então eu sonhei tudo? – “É faz mais sentido mesmo…”

-Bom eu tenho certeza que não estava flutuando no jardim haha! Vou pegar a sua água, fica sentado mais um pouco ok? 

-Ahn… tá… obrigado. 

Sem entender muita coisa Jack ficou uns minutos encarando  o tapete tentando se convencer de que estava tudo bem. 

Tradução da citação I: Religião ainda é útil para o “rebanho”- ela ajuda na conduta ordenada como nada mais poderia. A natureza humana é irrevogavelmente supersticiosa, e existe um motivo biológico para isso.Tire seu Deus Cristão e seus Santos, que ela vai encontrar outra coisa para adorar.

II                                             

“The oldest and strongest emotion of mankind is fear, and the oldest and strongest kind of fear is fear of the unknown”

Enquanto isso,do outro lado de SP  Lucas acordava de um pesadelo, em que uma mulher estava paralisada, olhando pra alguma coisa no céu. A mulher só aparecia parcialmente e estava de alguma forma estava  “falhando”, como se fosse uma imagem num computador danificado.Os pixels cada hora piscando e deformando um pouco a imagem. Havia sangue e um garoto magricela com cara de assustado e e….

 O que o acordou foi o gato. SEMPRE por algum motivo de madrugada começava a derrubar tudo, depois mordia seu pé e  colocava a pata no seu nariz.

-Vêm Kim vamo dormir, amanhã vou apresentar meu projeto, eu já fui dormir tarde porque tava arrumando os detalhes…- Ele colocou o gato embaixo do cobertor, que era a única forma dele ficar quieto, e antes mesmo do gato ronronar, Lucas adormeceu novamente.

Dessa vez ele estava em uma avenida, e o céu estava tempestuoso.Muitos raios despontando aqui e ali. Lucas começou a andar e percebeu formas escuras paralisadas, meio parecidas com a mulher só que os rostos, os rostos não existiam mais. Pareciam ter sido de alguma forma “excluídos” da cabeça das pessoas. Sem sangue, sem cortes, eles só…sumiram. 

Ouviu um barulho muito alto vindo do céu e uma luz extremamente forte, um raio havia caído ali. Mas a atenção dele já não estava volta para o raio, no céu, alguma coisa estava se movendo, na verdade parecia que TODO o céu estava se movendo de alguma forma. Parecia estar saindo de foco e voltando, parecia que o “céu” estava preso, as nuvens começaram a se juntar mais e mais e no que pareceu um esforço absurdo e pulsante o céu simplesmente ficou azul novamente. Os rostos caíram no chão, como máscaras, nesse momento as pessoas, que antes estavam paralisadas meio flutuantes começaram a tatear  procurando suas feições. Lucas colocou as mãos em seu próprio rosto, e, aliviado constatou que estava lá como mero observador. Tudo ficou escuro. 

                                                                ***                                                        

-Bom dia!- Era Leila, entusiasmada demais, “como ela consegue acordar feliz assim argh” Lucas pensou, esfregando a cara pra acordar e grunhiu alguma coisa. 

-Ah você tem que levantar, acho que seu celular não despertou, afinal eu já cheguei aqui…. Não era hoje que você ia apresentar o seu projeto?

“O PROJETO!! QUE HORAS SÃO?” 

-Que horas são????- Lucas levantou meio desesperado, começou a arrumar o cabelo e foi procurar uma roupa limpa em algum canto do armário. 

-Exatamente 8:49 – Leila, respondeu num tom feliz demais.

 Leila era a moça que cuidava da casa do Lucas, ela vinha uma vez por semana dar uma ajeitada nas coisas, lavar as roupas etc, devia ter uns 38 anos, era feliz demais, cozinhava extremamente bem, e o fazia ter uma nostalgia muito grande da sua cidade natal  toda vez que falava alguma coisa como “uai” e “osh” .

No caminho pro trabalho, Lucas percebeu que tudo parecia mais vívido, o rosto das pessoas, ficava gravado em sua mente por uns bons minutos, e quando ele olhava pro céu parecia estranhamente imóvel, como se estivesse preparado para a qualquer momento atacar, se é que tem como descrever isso.  No metrô ele esbarrou numa senhora e ele podia jurar que havia uma linha traçando um contorno desde sua testa até o queixo fazendo a volta completa. Piscou umas duas vezes e não viu mais nada. Flashes do sonho começaram a passar pela sua cabeça, sua espinha gelou… 

-Ahn eu estou aqui pra apresentar meu projeto, o senhor Diaz já chegou? 

-Ele foi pra uma reunião agora. São 9 horas, e aparentemente seu horário era 8 e meia…. 

-Tem como você ligar pra ele?- Lucas olhou pra secretária com uma cara de súplica, mas ela só olhou com indiferença e respondeu 

-Não. 

Lucas decepcionado voltou pro seu andar do prédio, falou bom dia pra moça da recepção que tinha cabelo curtinho e bochechas extremamente rosadas e foi pra sua mesa, revisar mais propagandas, banners e potenciais outdoors que na opinião dele eram horríveis demais para  fazer qualquer um se interessar pelo produto.

 O objetivo dele não era trabalhar com isso, ele queria mesmo é escrever quadrinhos e o projeto dele era sobre isso, finalmente ele apresentaria sua história para alguém relativamente importante. Mas ele perdera a reunião, pra conseguir outra ia ser uma dor de cabeça. 

O dia foi passando, devagar e tedioso, até que finalmente chegou a hora de ir embora. Lá fora tudo parecia estar meio longe da realidade, os carros passando, as pessoas andando, as luzes, tudo parecia meio  borrado e translúcido, com exceção do céu, o escuro da noite era tão denso que quando uma estrela aparecia, a impressão era que ela brilhava demais. 

Lucas sentiu uma pontada de medo e depois um vazio que não parecia pertencer à ele.

Tradução II: A emoção mais forte e antiga da raça humana é o medo , e o mais antigo e forte medo é o medo do desconhecido.

III                                                           

“If I am mad, it is mercy! May the gods pity the man who in his callousness can remain sane to the hideous end!”  

Jackson não conseguia tirar da cabeça  a imagem da mãe dele parada no jardim com o corte enorme na nuca. Na aula ele só pensava nisso, quando chegou em casa, agradeceu mentalmente (se sentindo culpado) por Dória não estar lá. Era estranho olhar pra ela, alguma coisa estava estranha, ela estava exatamente como antes, mas a sensação era esquisita. Parecia que a mãe estava no automático, mesmo sendo carinhosa com ele e falando normalmente sobre os assuntos de sempre, o marido da Márcia, mandando Jackson arrumar o quarto  ou falando que ele deveria estudar mais quando chegasse em casa. 

As vezes quando ela achava que ele não estava a vendo ela colocava a mão na cabeça e tirava várias vezes e em seguida passava a mão na nuca, nervosa, se ele aparecia ela virava-se abruptamente e dava um sorriso que era pra ser reconfortante, mas acabava sendo meio macabro. 

“Ok, entrando no google, barrinha de pesquisa, projeto de artes, era pra pesquisar quem mesmo? ahh aqui no caderno, Harry Clarke… Ok, A relação dele com Goethe….  Fausto. Eita… ele ilustrou uma edição especial do livro Contos de Imaginação e Mistério do Edgar Allan Poe….

“‘Goethe, escritor das obras Fausto, Os Sofrimentos do Jovem Werther entre outros, iniciou sua relação com Harry Clarke em torno de 1970 quando este ilustrou o livro Fausto que é sobre um homem que faz um pacto com o diabo para conseguir tudo o que quer e em troca se torna um servo no inferno.’ eu não vou desenhar não, aí já é pedir demais, vou pedir pra menina do meu grupo fazer a ilustração…  aí eu faço a parte escrita do trabalho dela, é isso serve” 

Jackson se levantou para pegar um copo d’água e quando chegou na cozinha se deparou com uma imagem que parecia um tipo  de holograma , era um cara com uns 30 anos, com um black power enorme e os olhos bem verdes, sentado numa escrivaninha no meio de uma bagunça desenhando o céu, à noite, mas o escuro do céu parecia se mover, como se respirasse. Jack esfregou os olhos, e não havia mais nada ali. Respirou fundo, e voltou pro quarto. “Tá tudo bem, tá tudo bem, tá tudo bem, minha vida tá parecendo uma música do Lorn mas tá TUDO BEM HAHAHAHAHA”. uma risada meio histérica (de nervoso) saiu da boca de Jack que voltou pro computador, pensando que era só algo da cabeça dele, como sempre.

Uma vez quando era pequeno, ele tinha visto as estrelas se movendo muito rápido,parecia uma contração.Contou pra mãe dele, ela falou que era uma estrela cadente, ele acreditou… Outra vez ele sentiu enquanto nadava no oceano, um movimento debaixo dos seus pés, mas não viu nada se mexendo ali, assustado falou  que tinha um bicho lá, sua mãe foi até onde ele estava flutuando com sua bóia de tubarão, puxou a bóia do filho para perto de si e disse: “é a corrente de água, às vezes quando você sente um friozinho no pé no mar é uma corrente de água passando.” Com um sorriso ela girou o filho na água, Jack pendeu a cabeça para trás e fechou os olhos, e estava tudo bem de novo. 

Fato é que Jack estava acostumado a ver/sentir coisas que não estavam ali, talvez a imaginação e criatividade dele fossem um pouco mais intensas que a do resto das pessoas. Mas era difícil às vezes, distinguir algumas coisas. “Talvez eu seja esquizofrênico” ele riu alto da hipótese. 

Tradução III: Se sou louco é uma benção! Deus tenha piedade do homem que em sua apatia consegue se manter são diante do seu terrível  fim.

IV                                                              

“The most merciful thing in the world, I think, is the inability of the human mind to correlate all its contents. We live on a placid island of ignorance in the midst of black seas of the infinity, and it was not meant that we should voyage far.”                                  

A vida de Dória sempre foi amena, nenhuma aventura na adolescência, uma menina normal meio chata até, sem muito entusiasmo, crescer no interior foi extremamente entediante, e aparentemente o tédio tomou conta dela.

  Estudava voltava pra casa, ajudava a limpar a casa, sempre bem quieta, meio encolhida. Depois veio a faculdade, ela escolheu enfermagem porque não tinha a força de vontade de estudar para medicina e sinceramente pensava que era meio burra e que mesmo que estudasse não iria servir pra isso, a faculdade de enfermagem durou dois anos, durante os quais ela conheceu o pai de Jack, um cara completamente diferente dela, falava com todo mundo, era bonito, animado, mas babaca. Dória engravidou e quando  Jack nasceu, como esperado de qualquer babaca, ele vazou. Homens jovens não aguentam a pressão(a maioria pelo menos, e também nem é culpa deles atualmente, um dia definitivamente foi culpa deles mas hoje eles só colhem o que os antepassados plantaram que no caso é viver a vida numa sociedade de merda, enfim, tópico para outra história). já as mulheres, são obrigadas a aguentar de uma forma ou de outra, ninguém entende o amor de uma mãe até se tornar uma e infelizmente homens não são capazes de entender isso. 

De um jeito ou de outro haveria sofrimento, se ela o entregasse para adoção nunca iria se perdoar e se ficasse com ele, não teria mais vida, pelo menos era o que pensava, e se você parar pra pensar ela já não tinha uma vida, pelo menos não uma interessante(nem mesmo pra ela),  sempre foi indiferente às situações, mas quando Jack nasceu a vontade de dar o melhor se inflamou, e agora sabia que tinha que cuidar dessa existência frágil.Foi o que fez, da melhor maneira possível nas piores circunstâncias. 

Só que agora isso estava sumindo, as vezes  pensava em bater nele, ou quando ele estivesse dormindo fazê-lo parar de respirar, só pra vê-lo tentando puxar o ar e não conseguindo, ver a expressão dele se contorcendo, ou até esperá-lo ficar imóvel. “Não, não não isso não é certo ele é meu filho. Que me tirou a liberdade. Não, ele é meu filho, eu vou cuidar dele, eu vou matar ele, NÃO NÃO NÃO, PARA!” Batendo a mão na cabeça ela tentava fazer esses pensamentos irem embora, mas mesmo assim a imagem do filho imóvel na cama provocava uma sensação de prazer.

  Ela passou a mão pela nuca e sentiu uma dor muito grande, nesse momento viu Jack olhando para ela com uma cara estranha “Ah talvez eu pudesse, arrancar um olho? Ele consegue enxergar com o outro ainda né, vai doer um pouquinho. Só um, ele vai continuar enxergando né? NÃO, SORRISO SORRISO” forçou um sorriso e voltou a lavar a louça. 

Tradução citação IV: A coisa mais misericordiosa no mundo é a inabilidade do ser humano de correlacionar todos os conteúdos de sua mente. Vivemos numa plácida ilha de ignorância entre os mares negros da infinidade e não fomos feitos para viajar longe.

  V                                                             

“Pleasure to me is wonder—the unexplored, the unexpected, the thing that is hidden and the changeless thing that lurks behind superficial mutability. To trace the remote in the immediate; the eternal in the ephemeral; the past in the present; the infinite in the finite; these are to me the springs of delight and beauty”

O desenho estava quase pronto, mas alguma coisa faltava, Lucas apontou o lápis e encarou o papel por uns minutos. 

Sem pensar muito começou a fazer riscos com a ponta fina do grafite e acabou rasgando a folha e quebrando a ponta do lápis. Tormenta, era o nome do desenho,  e o sentimento que preenchia Lucas. Se ao menos ele conseguisse tirar a densidade do espaço de dentro de si, as coisas talvez ficassem mais leves. Começou a lembrar do sonho, porque aquilo não saía de sua cabeça? As máscaras, o pulsar do céu.

Toda a humanidade SENTIA. 

Se levantou, foi para perto da janela, acendeu um cigarro, puxou, respirou soltou, olhando os prédios, percebeu como tudo era frágil.

Tradução V: Prazer para mim é maravilhamento- o inexplorado, o inesperado, a coisa que está escondida; o imutável  que se esconde atrás da superficial mutabilidade. Traçar o remoto no imediato; o eterno no efêmero; o passado no presente; o infinito no finito; isso para mim é a maleabilidade do prazer e da beleza.

VI                                                              

“Bunch together a group of people deliberately chosen for strong religious feelings, and you have a practical guarantee of dark morbidities expressed in crime, perversion, and insanity.”

Cins foi atraída para Terra por perceber seu potencial para a desgraça. Seu alimento é a Tragédia. Cins, é a personificação da tragédia desde antes da existência da humanidade, desde antes dos Deuses Antigos, desde antes do Tempo. Ela age através de ilusões e sonhos e influencia a matéria. 

É a  grande maestrina  por trás de tragédias durante toda a  história da humanidade: Nero e o Incêndio em Roma, A Peste Negra, a Inquisição a escravidão, Gengis Kahn. Todas as guerras mundiais, as ditaduras, os partidos/regimes fascistas, a incoerência religiosa os massacres dos indígenas, a colonização. 

Veja, ela não é responsável pelos atos das pessoas, ela  apenas explora o potencial humano. Todas as pessoas têm desejos nefastos que tentam suprimir, Cins apenas os estimula. A humanidade não resiste porque no fundo é algo que  ela quer também. Cins exerce uma força tão massiva na consciência humana que mesmo as pessoas boas, se se tornarem seu alvo, não conseguirão resistir às vontades secretas dentro de si. Não é possível dimensionar seu tamanho ou sua idade, ou entender o porquê de sua existência, a humanidade não tem capacidade de compreender que ela existe, sua dimensão é maior do que o ser humano consegue abstrair. Mas o sentimento que ela provoca é coletivo e nítido. Todos os suicídios, todos os massacres, tudo isso é alimento para ela. A fome, o desespero, as doenças. Tudo colabora para sua personificação.

Sua natureza é vagar pelos mundos caçando possíveis receptáculos para seu caos. Quando encontra, ela influencia. Se espalha por todo aquele lugar até não restar um pingo de esperança ou bondade. Alienação toma conta de todos. 

Ninguém entende porquê. 

Não é possível vê-la, não é possível tocá-la. 

Quando você se sente triste e não entende o porquê, quando questiona sua existência, quando sente ódio. Depois de um tempo as pessoas ficam  tão alienadas que não têm consciência de nada e realmente acreditam nas ilusões que sua cabeça cria.

A humanidade se apoia na ideia de um Deus misericordioso para usar como desculpa por suas ações, porque se existe um Deus misericordioso automaticamente existe um Demônio tentador. Talvez a forma que a humanidade encontrou de tentar compreender Cins foi a religião, por isso é tão importante, tão dogmática, tão sagrada. A humanidade não consegue se responsabilizar pelos seus atos. 

Se você parar para pensar, as principais tragédias históricas foram por “apoiar uma determinada ideologia”, sendo assim a responsabilidade é automaticamente retirada da pessoa. É tudo em nome de Deus, ou é tudo para um “BEM MAIOR”, olhe todo o contexto, veja que é tudo para chegar a algum lugar. Nenhuma figura pública jamais disse que fazia algo porque “queria” ou porque “desejava”, era sempre com o pretexto de “estou fazendo por vocês” “para vocês”. Assumir responsabilidade pelos seus atos vai te fazer retomar a consciência, vai fazer você se libertar da alienação, mas é cômodo ficar na ilusão, e é justamente aí que Cins age, ela transforma essa ilusão em atos, e os atos geram consequências e as consequências são desastrosas. 

Tradução VI: Junte um grupo de pessoas escolhidas deliberadamente por seus fortes sentimentos religiosos, e você tem praticamente a garantia de morbidades obscuras expressadas atrás de crimes, perversão e insanidade.

  VII                                                        

“Ultimate horror often paralyses memory in a merciful way.”

Jackson se levantou para ir ao banheiro, logo ele teria que levantar para ir à aula então queria ir o mais rápido possível para poder dormir mais um pouco. Chegou ao banheiro e a cena que encontrou fez seu coração palpitar. Sua mãe estava ali, toda ensanguentada “DE NOVO NÃO. EU SEI QUE NÃO É REAL, É A MINHA CABEÇA É A MINHA CABEÇA”, Dória estava se contorcendo, o peito aberto, o coração de alguma forma ainda pulsando. Sua boca, cheia de carne. Ela mastigava e mastigava, o que parecia ser a própria pele, no chão estavam os restos da carne. O barulho era borrachudo, fazia sons agudos, parecia escorregar nos dentes dela.

Jack esfregou os olhos esperando a visão sumir mas ao abri-los novamente, ela estava encarando-o, os olhos  não piscavam, o coração pulsante. Jackson começou a ficar zonzo, um barulho agudo em sua orelha, parecia que podia sentir o peso da gravidade o  empurrando para baixo. Por puro instinto ficou em pé o máximo que conseguiu, tentando de alguma forma fazê-la intimidar-se. Dória abriu um sorriso, que por um momento pareceu acolhedor. Em seus dentes era possível ver fragmentos de pele, sangue, cabelos. Jack caiu de joelhos e tentou desesperadamente se arrastar para fora do banheiro. 

  A sombra de sua mãe era grotesca. Tinha pelo menos três vezes o tamanho dela e parecia estar convulsionando. Sentiu uma mão gelada em torno de seu pulso.  Dória pegou o braço do filho e puxou. A dor era absurda, Jake olhou para seu braço e viu que estava lentamente se desconectando do resto do corpo. O sangue começou a escorrer quente para seu tronco e em seguida sentiu em suas pernas.Não sentia mais dor. Fadiga tomou conta dele, não sentia mais nada, só queria descansar.  Dória continuava a puxar, com uma força grotesca. Como se tivesse tomado um choque voltou sentir absolutamente tudo.Sentiu a ruptura em todos os detalhes, a dor voltou lancinante, o barulho da carne rasgando os ossos se quebrando. Não aguentou. Desmaiou.

Em seguida Dória simplesmente saiu do banheiro e deixou Jackson sangrando no chão. Voltou alguns minutos depois  com uma corda que achou no quintal. 

Amarrou Jack. 

-Não, meu bebê não pode escapar, ninguém iria se divertir se ele escapasse…- 

Começou a arrancar os membros remanescentes, primeiro o outro braço, foi puxando devagar. Ela gostava dos barulhos da pele se rasgando, depois o clack de um osso quebrando. 

-Ops, hahaahahahha acho que esmaguei o pulso.

  No momento que o braço se desconectou, sangue jorrou sujando os azuleijos verde-limão que ela demorou tanto tempo para escolher .A perna esquerda. A perna não era tão divertida quanto os braços, era mais dura e os barulhos não eram tão prazerosos mas a hora que o sangue começou a escorrer foi maravilhoso. Dória sentiu o sangue em suas mãos, quente e pegajoso, grosso, carmín, coágulos já se formavam. Enfim arrancou a perna  direita, um pouco decepcionada por ele ter desmaiado. Só queria ver aquela expressão no rosto dele de novo.

Depois de ter arrancado  todos os membros, colocou a mão no pescoço do filho e não sentiu pulso. Encarou o que havia feito ainda com a perna  em suas mãos e por um momento em sua feição foi possível ver horror, um horror logo suprimido por uma expressão de prazer inimaginável. Começou a sorrir. 

Em seguida colocou um membro do lado do outro no corredor e o tronco com a cabeça em uma cadeira, como se Jackson estivesse sentado. Foi até a pia da cozinha e começou a preparar o café da manhã.

-Eu sei que você não gosta de comer frutas de manhã, na verdade não gosta de comer frutas nunca, mas faz bem, você está em fase de crescimento- Disse com uma risada abafada. 

-Não, nada de refrigerante no café da manhã. Eu não gosto que você tome nem no jantar, no café da manhã então imagina.

Sentou para comer com o filho, seu rosto impassível ao observar o  tronco sem membros. 

Não tinha idéia de como conseguira arrancar os membros com as próprias mãos, apenas puxando-os mas não pensou muito nisso. 

Agora era hora de ir lá fora.

 Aquilo a esperava, ela precisava ver mais uma vez. Só mais uma. 

Tradução VII: O horror supremo geralmente paralisa a memória de uma forma misericordiosa.

VIII                                                           

  “The world is indeed comic, but the joke is on mankind”.

“MANCHETE: GAROTO ENCONTRADO DESMEMBRADO EM SUA PRÓPRIA CASA. 

Nesta sexta-feira dia 05 de outubro, aproximadamente às 6 da manhã uma atrocidade aconteceu na grande São Paulo, Jackson Diaz foi encontrado desmembrado em sua casa, moradores locais ouviram gritos e chamaram a polícia.Não há sinais da mãe aos redores da casa.Não há sinais de arrombamento Dória Diaz simplesmente desapareceu do mapa, ela é a principal suspeita do Homicídio. Havia  sangue tanto dele como dela na cena do crime segundo a polícia. O resto da família Diaz não quis comentar. 

O pai de Jackson trabalha na CiaComics, uma empresa que patrocina Artistas Locais sem condições de produzir seus quadrinhos. Gefferson Diaz, não tem contato Dória desde o nascimento de Jackson que já completaria 18 anos de idade na próxima quinta-feira dia 11 de outubro. 

Para ler a notícia completa vá para a página 4 do Jornal SP.Alerta”

Lucas passou pela cozinha e viu o nome DÍaz na manchete, pegou o jornal e começou a ler. Havia uma foto da mãe desaparecida, na hora o enjôo tomou conta dele,  pendeu para frente tentando não vomitar, lembrando do sonho.

  Então o que ele sonhou realmente aconteceu e se aquilo realmente aconteceu provavelmente o outro sonho também foi uma experiência real, ele sentiu um frio na barriga e um pressentimento horrível. “Por que eu tive que presenciar isso? O que eu tenho a ver com toda essa merda, caralho.” 

Lucas foi até o local do crime, que ficava um pouco longe de sua casa mas o metrô fazia o tempo para chegar lá ser bem mais curto. Queria  tentar descobrir se o menino era realmente aquele do sonho, mas a polícia se recusou a falar qualquer coisa. No caminho de volta para casa começou a sentir calafrios, na nuca, nas costas.

Estava num lugar movimentado. Atrás dele havia uma praça relativamente grande. Olhou para trás e por um momento pensou que estivesse alucinando. Começou a ouvir pessoas gritando, tudo lhe parecia muito distante da realidade. A cena que presenciava, aquilo era nítido aos seus olhos. Uma mulher crucificada, cheia de sangue. Com um sorriso macabro no rosto. Os olhos vidrados. Já havia morrido. 

Lucas começou a andar, sem entender muito bem  como suas pernas funcionavam e quando chegou perto, percebeu que sem dúvidas era a mãe do menino e aparentemente a mulher do sonho.Começou a ficar sem ar, tentava puxar o ar mas não conseguia, o coração palpitando loucamente. Não estava entendendo mais nada, começou a andar sem ter muito um caminho, só parou quando viu um lugar vazio.

Sentou no chão tentando recuperar a calma e foi quando ele viu, de novo no céu. Tudo se contraindo  e se movendo. Lucas olhou para a multidão ao longe, as pessoas não estavam mais gritando.Todas estavam olhando para o céu também. As mãos começaram a se virar para trás, a rigidez tomou conta delas, paradas com as pontas dos pés viradas para trás, ao mesmo tempo os rostos foram de alguma forma removidos de suas cabeças e estavam flutuando pouco acima da cabeça.

 Lucas sentiu uma pressão absurda o forçando a ficar em pé. Não conseguia mais mover os braços, não sentia mais o chão, tentou olhar para seus pés mas só conseguia olhar para cima, uma dor intensa em seu rosto. Preto, tudo preto, sua consciência estava sendo arrancada de si, sua vontade, seus ideais tudo sumindo. Só sentia a movimentação do espaço e o impulso de se entregar. 

Tradução VIII: O mundo é de fato cômico, mas a maior piada é a raça humana.

IX 

“The Old Ones were, the Old Ones are, and the Old Ones shall be. Not in the spaces we know, but between them. They walk serene and primal, undimensioned and to us unseen.”

A partir desse dia, Cins só usou a terra como alimento, toda a consciência humana foi erradicada. Era o fim do que conhecíamos como civilização, depois de tantas tentativas da humanidade dar certo, tudo acabou por conta da ganância humana, a sede por poder, por influência. Tudo foi destruído, as florestas, a humanidade miserável. 

Depois que Cins foi embora o que restou foi um planeta fantasma.

Absolutamente todos os seres vivos sofreram as consequências. 

Todo o sangue sobre as mãos da humanidade. 

Nenhum deus veio salvar a humanidade, nenhum diabo veio buscar os pecadores. 

Simplesmente acabou.

Tradução IX: Os Antigos eram os Antigos são e os Antigos serão. Não nos espaços que conhecemos mas entre eles, que caminham serenos e primários imensuráveis e invisíveis para nós.

NOTA: Todas as citações advém de obras do escritor H.P Lovecraft

CONTO PRODUZIDO POR: Beatriz Vanessa Borelli Russo 

UMA RECLAMONA 

Sem perceber, a reclamação virou um hábito. 

Nós reclamamos por ter que levantar cedo, por acordar, pelo sono, pelo sol, pela chuva, pelo frio, pelo pão que não está tão quentinho, pelo trânsito, por ter serviço, por não ter serviço, por fome, por ter aula, por não ter conteúdo, por não entender a matéria, por chegar tarde em casa, por dormir tarde sabendo que vai levantar cedo no outro dia, as vezes vai dormir tão tarde que terá que levantar no mesmo dia. 

O ato de reclamar já virou um ciclo. 

Ao entrar nas redes sociais vejo memes reclamando, dou like, salvo e tiro PrintScreen para quem sabe, usar algum dia. Tenho certeza que esse dia foi ontem, é hoje ou será amanhã, já que estará calor suficiente para postar: “eai, seus anti-frio… estão felizes em suar às 8h da manhã?”; de tarde eu posto uma outra falando: “tudo saindo do jeito que eu não esperava kkk”, e de fato, os kkk são para amenizar a reclamação; de noite tem mais uma: “forças, amadah! amanhã ainda é quinta”. 

Eu me tornei um monstro, aquilo que menos esperava! Onde está aquela criança que acordava ansiosa para brincar, assistir ou simplesmente fazer nada, qualquer coisa era motivo de alegria. 

Mas agora sou uma reclamona. Agora a reclamação já faz parte de quem eu sou, já corre em minhas veias e não posso deixar de postar uma imagem com esse intuito, certo? 

Mudanças acontecem querendo nós ou não, estamos sujeitos a mudar e sempre estaremos. 

 Mas uma observação válida: com algumas mudanças, haverá

reclamação… 

CRÔNICA PRODUZIDA POR: Adriele Farias

AMIZADE INCORRUPTÍVEL

Estava a três passos de distância da porta, a terra vermelha gélida absorvia meu sangue enquanto me contorcia inconsolavelmente ao lado do meu melhor amigo. 

Meu úmero tilintava em meio ao som das cigarras em um dia árido enquanto ele arrancava um pedaço do meu braço. Não sabia distinguir o vermelho do chão com o vermelho de meu sangue em meio a meu úmero e rádio sendo estilhaçados pelo meu melhor amigo. Eu não o reconhecia em meio de tanto vermelho e o zumbido em meu ouvido me impedia de ouvir meus próprios gritos de socorro. O fato de ainda estar acordado em meio a toda essa carnificina me parecia uma piada cósmica das mais cruéis, não ter desmaiado ainda seria o último ato de autoflagelo da minha patética tentativa de ter uma amizade significativa, mas amigo é pra essas coisas. 

A mordida de um pitbull deve ser de algumas toneladas por centímetro quadrado, as pulsações diminuiam enquanto o latejar de meu braço aumentava, meu último despropósito seria a força descomunal que meu coração fazia para jorrar o sangue para fora de meu corpo. Como se quisesse perder consciência tanto quanto eu. 

Mas sempre funcionei em situações traumáticas, por isso permanecia acordado, foi assim que consegui um emprego, foi assim que fiz este amigo. Ele olhava para mim como se nada tivesse acontecido, abanava o rabo e lambia do chão gélido o sangue que o fez jorrar de meu braço, talvez finalmente tivesse me reconhecido e meio a meu desespero descomunal. Sempre fui naturalmente desesperado e ansioso, cachorros percebem seus traços emocionais, criaturas majestosas. Talvez mudei tanto que ele me atacou pelo próprio amor e fidelidade que sempre teve por mim. Sempre foi fiel, nunca deixou de ser. 

Alguém que você ama levando um pedaço de você. É inevitável, sempre acaba da mesma maneira, levam pedaços de você até que você não exista mais. Pensei que o processo ia ser gradual e que a dor seria menos pulsante, e que as cicatrizes seriam emocionais. O risco iminente de ser mordido enquanto achava que ia me lamber. Prefiro conviver com o risco iminente do que viver sozinho. 

Acordei no hospital me sentindo sortudo. De todas as relações de amor que tive, essa só me arrancou um pedaço do braço. 

PRODUÇÃO DA CRÔNICA POR: Higor Colin

O CHEIRO DA CHUVA

Engraçado como sempre pude perceber o cheiro da chuva momentos antes da mesma despencar sobre mim. Quando se perde a liberdade e a conexão com o mundo afora a minúcia de momentos minimamente significantes te mantém conectado com si mesmo. 

Perder a conta dos dias em que se está encarcerado e por extensão perder o fio de humanidade que me conectava com o mundo exterior, me perguntava se aqueles que tinham livre arbítrio conseguiam sentir o cheiro da chuva, mas provavelmente estavam muito ocupados para reparar em pormenores cotidianos. Minha esposa sempre gostou de chuva, sempre que chovia olhava para mim e dava risada, até mesmo em seus últimos dias. O processo era horrível, o câncer cresce e ela diminui na mesma proporção, a cada pingo de chuva menos vida e mais dor. Quando sua esposa pede misericórdia você atende, leis humanas e condutas morais voam pela janela. O simples ato de puxar a tomada significaria a transcendência da melhor pessoa que já conheci e punição capital para mim, não pensei duas vezes, sempre fiz tudo o que ela pedia. Ninguém entende atos de misericórdia, a vida humana é muito valiosa, mas a impotência perante a atos aleatórios e cruéis faz de mim um assassino perante a juris que ainda sentem os pingos da chuva ao lado daqueles que amam. 

Fui condenado a morrer pelas mãos do estado, muito mais cruel do que puxar a tomada de um aparelho respiratório. Todos olhavam para mim como um animal prestes a ser abatido enquanto era amarrado e amordaçado percebia pingos de chuva escorrendo da única janela da sala e lembrei que sempre conseguia sentir o cheiro de chuva, menos dessa vez.

 Queria morrer e levar todos ali dentro, percebi que já estava morto faz tempo. 

CRÔNICA  PRODUZIDA POR: Higor Colin 

O TREM

No íntimo da minha alma, tenho buscado pelo sentido da minha existência, e no meio de tantas perguntas e questionamentos, me deparo com a certeza de que fomos jogados neste mundo sem a nossa própria consciência e que também partiremos dele sem o nosso consentimento.

Finalmente, de tanto tentar me encontrar, pude concluir que só preciso viver e ser paciente com as estações nas quais ainda devo passar. E que por mais que eu queira pular do trem em movimento, ainda assim, teria que entrar num outro trem, para que de fato pudesse chegar ao lugar que me é destinado.

Sim, meu caro! Estamos nessa vida como um passageiro num trem em movimento, e que cedo ou tarde, a estação final de cada um chegará e o que realmente importa são as experiências e os momentos vividos e compartilhados em cada jargão.

PRODUÇÃO DO TEXTO POR: Josiane Martins de Souza

CONCLUSÃO

Com esse trabalho pudemos concluir que dentro do Gênero Literário existem diversas esferas, neste trabalho em específico foram utilizados dois, a prosa e a poesia.

A prosa é, geralmente, encontrada em dois gêneros: narrativa e em demonstrativa. 

Nós encontramos e trabalhamos com contos e crônicas, estes foram analisados e, a partir do conhecimento adquirido,fomos capazes de produzir nós mesmos.

A poesia trata mais de questões emocionais em que o autor/poeta consegue expressar e despertar sentimentos, ela geralmente é produzida em forma de poema, com estrofes e versos.Neste trabalho algumas foram encontradas e analisadas, outras até foram produzidas.

RELATÓRIO REFERENTE AO CONTEÚDO PRODUZIDO E ANALISADO

No decorrer deste trabalho foram especificados e explicitados os conceitos gerais de teorias literárias, bem como um conjunto de obras extensas e suas características estruturais que as distinguem, com sua divisão mais fundamental e primária sendo entre prosa e poesia, seguido por conceitos inerentes aos mesmos como elementos subjetivos e abstratos que caracterizam tais produções literárias. Parte do escopo fundamental do trabalho foi discriminar e apontar gêneros literários fundamentalmente produzidos anteriormente em livros e produções de pequenas escalas, que agora são disponibilizados e exteriorizados em mídias digitais e redes sociais, assim como gêneros criados e popularizados especificamente em contexto digital. Dentre tais gêneros e categorias estão contidos lendas urbanas e contos de sabedoria popular que provocam curiosidade, sendo essas produções narradas em primeira ou em terceira pessoa, diários compartilhados, jogos e conversas sequenciais através de imagens de teor cômico, bem como plataformas específicas de compartilhamento de mídias de conteúdo áudiovisual de produção autoral e conversas informais (podcasts). São exemplos da enorme pluralidade de conteúdo produzido em contexto de mídias digitais através da facilidade gritante de compartilhar os mesmos com um público vasto. 

Produções literárias tradicionais também são estimadas em âmbito digital, já que toda forma de expressão humana é potencializada e valorizada esteticamente sob critérios literários. Alguns estimados autores e produtores de conteúdo autoral afloram no contexto atual, sendo que outrora, por enquadramento em períodos, sem o auxílio de mídias digitais, não teriam a possibilidade de exposição de suas obras. Exemplo do aludido é a autora Brasileira Cora Coralina que, em poema anexado ao trabalho explicitou o apreço pela pluralidade cultural linguística brasileira e sua volatilidade. 

Já a poesia de André Santos, causa desalento na medida em que sobrepõe questões existencialistas a situações cotidianas e evoca sentimentos associados a finitude de nossas vidas. O mesmo sentimento de desconsolo e amargura é representado de maneira diferente pelo eu-lírico na composição do usuário @poettheus, que faz referência a uma relação amorosa que o amiserava sistematicamente e fomentava um crescente desalento emocional. 

Também foram feitas análises de contos em prosa ficcionais específicos que afloram sentimentos reativos e de natureza conflitante em situações explicitamente surreais e não realistas, mas que evocam sentimentos enraizados no subconsciente humano. 

Com a clara intenção de fomentar o antagonismo entre o individualismo e conceitos coletivistas impostos por forças externas, o conto de ficção Lutar ou morrer, escrito por Luciano Silva Vieira, evidencia o conflito moral entre se sentir pertencente a uma comunidade de amigos, independente de qualquer conceito abstrato de amizade que alguém possa ter, e a luta pela liberdade e desdobramento para se identificar com autonomia e propriedade em seu contexto. 

Na finitude de sua luta, o mesmo se encontra afogado em sentimentos niilistas e existencialistas. A aceitação da insignificância de seu processo de autoflagelo o levam a aceitar sua mortalidade como alívio existencial e não mais com algo a ser temido. 

Já no conto As chaves de casa, o sentimento predominante que o autor vivencia é a desolação perante situações adversas, não muito diferente do conto anterior, porém nesta produção, o personagem em foco não luta contra sua própria percepção da realidade, e sim tenta manter conexões com partes de si que foram perdidas no caminho. 

Na narrativa em terceira pessoa produzida por Lake Lopez, os conflitos na trama são propositalmente desconfortáveis e ressaltam a relação paternal com um filho que possui tendências condenáveis inerentes a sua natureza. 

No drama produzido por Martha Medeiros, as relações interpessoais na contemporaneidade, são colocadas como papel de parede em buscas menos significantes emocionalmente, a medida em que nossa retórica cansada e tendências hedonistas retiram o significado absoluto de palavras e gestos outrora valiosos. A justaposição do valor sentimental de palavras específicas e a desolação ao perceber  quão rasas nossas expressões verbais podem ser, são absolutamente relevantes e atemporais. 

As produções de poesia autorais de integrantes do grupo também foram essenciais para a retenção dos conceitos concebidos. 

No poema Escudo, é ratificada a necessidade de asilo e conforto seja ele literalmente atrás de um escudo em batalha campal ou metaforicamente. 

No poema Chuva de verão, a descontinuidade e imprevisibilidade de chuvas de verão, são lembranças sensoriais das descontinuidades das relações humanas. Já na produção Pátria amada, o sentir pertencente a algo desagregador e reacionário reitera a função fundamental do amor ao próximo, bem como, a necessidade de aspirar mudanças fundamentais no tecido social. Já na poesia A forma do amor, a relação é feita entre formas físicas absolutas e palpáveis e o sentimento abstrato. 

Na seção dedicada a produções literárias em prosa, no conto Mascarados, a natureza prosaica do cotidiano e toda sua insensatez cósmica, cerceia e ceifa o tecido que nos conecta a realidade,  permeia a submersão ao caos e a fatalidade dos instintos humanos acobertados durante séculos de opressão sistemática, a dogmas e doutrinas que nos contam a história dos personagens desse conto. Toda a desumanidade malévola é admitida, toda alucinação se funde com a própria realidade até o momento em que nos envelopamos em nosso fim. 

Em Uma reclamona, a trivialidade das ações corriqueiras e involuntárias é esmiuçada, e também toda a gratificação emocional e conforto que obtemos em tais atos. 

Em Amizade incorruptível, a idealização de uma amizade incorruptível do protagonista com seu cachorro, alavanca a interlocução do protagonista consigo mesmo em sua busca por significação dos conceitos de amizade e amor. 

Em O cheiro da chuva, leis e condutas morais tradicionais absolutas perseguem o protagonista que, misericordiosamente tirou a vida de sua mulher que sofria  continuamente de uma doença terminal. Tal conceito de misericórdia ao tirar uma vida, é estrangeiro a todos os presentes no processo judicial, dado que ninguém ali jamais foi posto em uma situação tão custosa.

E por fim, em O trem, a trivialidade e inocência de uma simples viagem de trem, ressignifica prioridades e valores fundamentais pois, a priori, somos apenas passageiros em quaisquer que sejam os lugares que formos. 

REFERÊNCIAS E SITES USADOS PARA O DESENVOLVIMENTO DA APS

https://www.portugues.com.br/literatura

https://www.diferenca.com/prosa-e-poesia/

https://www.significados.com.br/poesia-poema-prosa-soneto/

Home

https://www.facebook.com/groups/1715351725444117/

http://www.scp-wiki.net/about-the-scp-foundation

Foot Traffic

https://commaful.com/

http://www.planecrashinfo.com/lastwords.htm

http://www.takethislollipop.com/

About Us

http://www.opentopia.com/

https://www.netflix.com/browse

https://br.pinterest.com/

https://blognossoconto.wordpress.com/2018/07/05/amor-nao-e-romance-um-sofa/

https://vejasp.abril.com.br/cidades/poemas-sucesso-redes-sociais/

https://www.pensador.com/as_melhores_frases_e_poemas_de_cora_coralina/

Link:https://www.instagram.com/p/B2r9sFhhuOo/

https://recantodasletras.com.br/contosdeficcaocientifica/6671254

https://www.recantodasletras.com.br/contosdeficcaocientifica/6704695

Green Eyed Boy

https://www.facebook.com/marthamedeiroscronicas/

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